O amor é tão importante ao poeta quando o favo ao colibri, que ao beijar a flor sente o arrebatamento d’alma, o arroubo, o enlevo, o enlevamento, o rapto, a contemplação íntima, o transporte do prazer.
A música é tão importante ao cantador como o leite da loba quando vai alimentar a matilha recém-parida.
O amor e a música são a vida, a coragem, a loucura, a raça, a palavra, a comunhão, o signo, o fruto, a energia, o mel, o amanhecer, o mar, o céu, a franqueza, a ternura e a guarida do poeta que canta… e tão bonito canta que melhor é pararmos e deixarmos que o poema musicado nos enleve e faça-nos sonhar até mais longe.
Hildebrando Gomes
23/12/83

O local é ao lado de um texto de Vinícius de Morais, na contra capa do vinil “Das Barrancas do Rio Gavião” de Elomar. Dois anos antes de eu chegar por essas bandas terrenas. E lá escreve aquele que em breve seria meu pai, com uma sensibilidade que é requisito para os que se dispõem a chamar alguém de filho.

Sem chorumelas, é um texto do meu véi que eu acho massa. E que, se um dia eu for capaz, tentarei musicar.