Passei a manhã arrumando meu guarda roupas. Entre tantas surpresas ao encontrar coisas que eu não lembrava exitirem, li textos antigos, joguei coisas fora, soprei a gaita com a esperança de que saísse alguma harmonia e saldosamente desmontei um radinho a pilhas. Tá um vazio agora sem tamanho no armário. Toda vez que faço isso, sinto que partes preciosas da minha vida vão se desfazendo de mim. Ainda que eu sequer lembrasse delas.

dentro de algum livro encontrei anotações que fiz de trechos do livro Grande Sertão:Veredas, um dos que infelizmente apenas comecei a ler há um bom tempo atrás. Não quero falar sobre o livro, nem sobre minha bagunça comedida. Deixo apenas algumas frases de Guimarães Rosa não sei se na boca de Riobaldo ou Diadorim:

“O diabo na rua no meio do redemoinho”

“Viver é negócio perigoso”

“… o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem ou é homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão é que não tem diabo nenhum”

“Vem o pão, vem a mão, vem o não, vem o cão.”

“Esses homem! Todos puxavam o mundo para si, para concertar o consertado.”

“Deus mesmo, quando vier, que venha armado.”

“Nem no Céu, fim de fim, como é que a alma vence se esquecer de tantos sofrimentos e maldades, no recebido e no dado?”

“Toda saudade é uma espécie de velhice.”

“O inferno é um sem-fim que nem não se pode ver. Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim depois dele a gente tudo vendo.”

Mais sobre o livro e outros aforismo aqui.