Passei a manhã arrumando meu guarda roupas. Entre tantas surpresas ao encontrar coisas que eu não lembrava exitirem, li textos antigos, joguei coisas fora, soprei a gaita com a esperança de que saísse alguma harmonia e saldosamente desmontei um radinho a pilhas. Tá um vazio agora sem tamanho no armário. Toda vez que faço isso, sinto que partes preciosas da minha vida vão se desfazendo de mim. Ainda que eu sequer lembrasse delas.
dentro de algum livro encontrei anotações que fiz de trechos do livro Grande Sertão:Veredas, um dos que infelizmente apenas comecei a ler há um bom tempo atrás. Não quero falar sobre o livro, nem sobre minha bagunça comedida. Deixo apenas algumas frases de Guimarães Rosa não sei se na boca de Riobaldo ou Diadorim:
“O diabo na rua no meio do redemoinho”
“Viver é negócio perigoso”
“… o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem ou é homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão é que não tem diabo nenhum”
“Vem o pão, vem a mão, vem o não, vem o cão.”
“Esses homem! Todos puxavam o mundo para si, para concertar o consertado.”
“Deus mesmo, quando vier, que venha armado.”
“Nem no Céu, fim de fim, como é que a alma vence se esquecer de tantos sofrimentos e maldades, no recebido e no dado?”
“Toda saudade é uma espécie de velhice.”
“O inferno é um sem-fim que nem não se pode ver. Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim depois dele a gente tudo vendo.”
Mais sobre o livro e outros aforismo aqui.

7 comments
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6 Junho, 2008 às 1:29 am
Fran
Guimarães é mesmo especial. Desse livro eu lembro especificamente de uma passagem em que ele diz que: “mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam”. Isso é a mais pura verdade, estamos em constante processo de afinação, é como se estivessemos sempre nos preparando pra tocar violão. Mas apesar disso, às vezes, é necessário desafinar também, jogar algumas coisas fora para que a vida possa, então, continuar.
Vida longa a suas anotações, tio, ao seu guarda-roupa e a tudo mais que ainda ficou guardado por aí – junto a vc.
6 Junho, 2008 às 3:07 pm
Gauche
Infelizmente, Dê, também não li esse livro – ainda. Sei do enredo, já analisei alguns trechos na faculdade, mas nada substitue as deliciosas descobertas que é a leitura de Guimarães. Ele é engenhosamente simples; simplesmente fantástico.
“Esses homem! Todos puxavam o mundo para si, para concertar o consertado.”
Engraçado que ambos os trechos – o dito pela Fran e o acima – apresentam termos específicos da música. Isso, a meu ver, é uma espécie de comparação da harmonia e desarmonia das pessoas e, conseqüentemente, do mundo. Camões aborda muito essa temática também!; “concerto” da composição musical em contraste com o”conserto” de reforma. Como se as pessoas buscassem, em meio ao caos delas e do mundo, organizar as sintonias, a fim de atingir a harmonia perfeita, assim como uma orquestra sinfônica.
Voltando… sabe, eu tenho a impressão de que quando decidimos arrumar as nossas “tralhas”, o que fica e o que vai embora, é como se estivéssemos limpando a nossa vida. Mas não no sentido ruim, imagina!, digo no sentido de transferir certos momentos do habitat espacial, para o habitat do baú de nossas memórias. Essa atitude, além de dar lugar – no plano físico – para que prováveis boas novas cheguem, dá oportunidade para que você limpe a poeira do passado – isso mesmo, querido, no sentido literal também.
umbeijãozãozãoamore! =)
muito bom o post
6 Junho, 2008 às 4:42 pm
D. Garcia
Tia, até já comentei contigo que meu armário e minhas anotações nem sempre guardam coisas muito saudáveis e úteis. =P Lembrando aqui comigo, lembro que tenhou uma caixa de sapatos onde guardo tanto troço velho… cabeçote de vídeo cassete(pense numa peça bonita), lampadas daquelas de pôr em árvore de natal, bobina de um liquidificador e outras tantas coisas que nem me lembro.
Gouche, Limpar não é um verbo que eu conjugue muitas vezes por dia não. rsrs Brincadeira. Mas é complicado, a gente vai acreditando na capacidade de armazenamento do nosso armário, quando chega um dia em que ele não dá conta. E daí, aquela idéia de “no futuro eu posso precisar disso” é anulada. Porque diabos eu joguei fora aquele monte de fracos de amostras grátis que eu vinha juntando a alguns anos? Bem que poderia me servir em alguma idéia miraculosa. kkkkk
Olhando agora ao redor, bem que a mesinha do computador precisava de uma limpeza. Alguém aí se habilita?
cheiros cheiros
6 Junho, 2008 às 4:54 pm
Gauche
Tá querendo abusar da nossa boa vontade, Dê?
=)
6 Junho, 2008 às 7:37 pm
Fran
Vc conjuga o verbo limpar poucas vezes e eu num conjugo nunca…na minha casa tem quem faça isso pra mim…rsrsrs
bjs
8 Junho, 2008 às 4:44 pm
Gauche
Que sorte a de vocês… aqui sou eu merma que boto a mão na massa =/
8 Junho, 2008 às 9:07 pm
D. Garcia
Eu só n cuido das coisas dos outros. Mas tudo que for meu ou que eu utilizar tenho que ajudar a manter por aqui. Não é tanta moleza n.
Já a Fran… pelas bandas de cá ela seria chama de “kokota” rsrsrs. Mas até que ela é gente boa.
cheiros