Tou indo pra faculdade, indo tomar banho e almoçar. Inda não sei onde irei de chegar.
Passei ontem em frente a um terreno baldio aqui perto de casa. Era por volta das 16h de uma quinta feira ardida e um monte de marmanjo jogava futebol. Outros tantos aguardavam sua vez de jogar. “Quantos daqueles eram pais de família, tinham de sustentar suas casas, filhos, pais, esposa, etc?” – perguntei-me naquele momento. Mas o que importava se viviam bem consigo mesmos? Ao menos dentro daquelas quatro mal-traçadas linhas, corrigindo.
Será que estariam imensamente felizes fazendo a mesma faculdade que eu? Engolindo sapo dos professores, passando horas para entender de que forma uma chave de um banco de dados se relaciona com uma entidade, e demais frivolidades? Qual o fim disso tudo? Passar noites a fio projetando sistemas para que as pessoas troquem informações mais eficazmente através de super plataformas globais? Já não poderiam fazer isso no campinho ali do lado enquanto aguardam sua vez de jogar?
Me dá um enfado esta sociedade complexa da nossa modernidade, pós-modernidade, ou o escambau que queiram nomear para sentirem-se mais inovadores e privilégiados. Por vezes me dá um arroxo no peito e uma vontade de trabalhar levantando parede, tijolo por tijolo, pedra por pedra. E no fim algo sólido e concreto como fruto do meu trabalho. E não aquele papo do professor de Sociologia da comunicação com o “trabalho de sísifo” que é o jornalismo em sua realidade cotidiana, sua efemeridade cada vez maior. E sua contribuição para construção de alguma para quem quer que seja. Quero mesmo é bater minha peladinha num campinho de terra batida. Simples como no começo.
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6 comments
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13 Junho, 2008 às 4:13 pm
Fran
Ah, tio! A vida não é simples assim e não pode ser resumida a uma peladinha perto de casa. Quem se contenta com tão pouco, pode até ser muito feliz, mas tbm nunca terá o nosso conhecimento. Talvez os caras que vc viu jogando futebol não tenham muita ambição, mas vc tem, eu tenho e todo mundo que estuda tem.
Minha irmã sempre diz que estudar é o caminho mais longo pra se chegar onde se quer, mas eu acredito que ainda seja o mais lícito, mesmo que isso nos leve muitas noites de sono e nos deixe cansados – exatamente como eu me sinto hoje.
Se hoje o dia não está sendo bom é certamente pq um dia eu acreditei que os meus estudos ainda me salvariam de mim mesma.
Bjim
14 Junho, 2008 às 5:08 pm
Gauche
Oi, Dê, acho que eu entendo o que quer dizer… às vezes tenho a impressão que pessoas que têm muito menos [em todos os sentidos] que eu, são mais felizes. Parece que elas precisam de tão pouco para sinceramente sorrir. De fato, eu não entendo essa sensação, pois também não sei se seria feliz dentro daquele mundinho pequeno e alienado que grande parte delas vivem. Como a Fran disse ali em cima: a falta de ambição, de certa forma, é estagnante, e isso, certamente, me incomodaria ainda mais.
Adoro os seus posts impressionistas, digamos. Um beijão!
18 Junho, 2008 às 12:20 pm
Gauche
Agora o tal meme está devidamente respondido =}
19 Junho, 2008 às 4:55 am
Daniel
Oi Garcia!
Me deixou confuso com essa parte do seu comentário: “pensa comigo, se vc n tivesse percebido que a esquiva do cara n vinha acompanhada de um ataque, vc n teria se soltado mais. ao contrário, ficaria ainda mais retraído e com medo de soltar o jeb ou outro golpe.”
A minha lógica é que se eu visse que não vinha vindo nenhum outro golpe, eu me soltaria mais para golpeá-lo de diversas maneiras, já que estou seguro e com espaço, no momento. Por que ficaria retraído e com medo de golpear se ele não está me pondo esse medo?
Quanto ao resto, concordo totalmente. O lance é se acostumar com a situação nova e, assim, ir evoluindo a luta a novos patamares. Seja da vida que estamos falando, seja de uma luta literalmente.
Haha! Quanto ao seu post, é a minha vez de dizer que passei pelo que você relatou e pude imaginar na minha mente a situação. Faço ciência da computação e entendi o lance das chaves e das entidades.
Chamar isso de frivolidade é algo que não posso concordar mais e já pus em questão se estou no curso certo pra mim 1 milhão de vezes. -.-’ Estudo mais os textos do curso do meu irmão(filosofia) do que aqueles relativos às minhas matérias.
Na verdade, não é algo que pode-se caracterizar como frívolo, pois, sem isso, bancos de dados vão pro espaço. É um conhecimento puramente técnico, como diriam os filósofos. Não tem correlação alguma com o drama e ansiedades humanos. Fede! xP
Enfim, gostei do questionamento motivado por uma simples peladinha. =] Vou linkar o seu blog do meu.
Abraços!
1 Julho, 2008 às 4:23 pm
Gauche
Já aposentou?
=[
28 Julho, 2008 às 6:23 pm
Gauche
Calma, calma, só vim tirarhgfhfhgh umas teias de aranha. Já tô saindo, não precisa mandar.