Tou indo pra faculdade, indo tomar banho e almoçar. Inda não sei onde irei de chegar.

Passei ontem em frente a um terreno baldio aqui perto de casa. Era por volta das 16h de uma quinta feira ardida e um monte de marmanjo jogava futebol. Outros tantos aguardavam sua vez de jogar. “Quantos daqueles eram pais de família, tinham de sustentar suas casas, filhos, pais, esposa, etc?” – perguntei-me naquele momento. Mas o que importava se viviam bem consigo mesmos? Ao menos dentro daquelas quatro mal-traçadas linhas, corrigindo.

Será que estariam imensamente felizes fazendo a mesma faculdade que eu? Engolindo sapo dos professores, passando horas para entender de que forma uma chave de um banco de dados se relaciona com uma entidade, e demais frivolidades?  Qual o fim disso tudo? Passar noites a fio projetando sistemas para que as pessoas troquem informações mais eficazmente através de super plataformas globais? Já não poderiam fazer isso no campinho ali do lado enquanto aguardam sua vez de jogar?

Me dá um enfado esta sociedade complexa da nossa modernidade, pós-modernidade, ou o escambau que queiram nomear para sentirem-se mais inovadores e privilégiados.  Por vezes me dá um arroxo no peito e uma vontade de trabalhar levantando parede, tijolo por tijolo, pedra por pedra. E no fim algo sólido e concreto como fruto do meu trabalho. E não aquele papo do professor de Sociologia da comunicação com o “trabalho de sísifo” que é o jornalismo em sua realidade cotidiana, sua efemeridade cada vez maior.  E sua contribuição para construção de alguma para quem quer que seja. Quero mesmo é bater minha peladinha num campinho de terra batida. Simples como no começo.

Imagem do dia:

Little Wounded Soldier by *ACSolha on deviantART